terça-feira, 29 de abril de 2008

CRIANÇAS DE RUA

Basta darmos um breve passeio pelas ruas de Fortaleza, para nos depararmos com a dramática realidade das crianças que fazem das ruas, seu lar. É bem verdade que a definição de lar não condiz com a estrutura que a rua oferece. Pressupõe-se que um lar deva oferecer para a criança, o mínimo de proteção e educação, quando que na rua o que esses meninos e meninas têm, é um contato direto com uma avalanche de violência e abandono.

Aqui em Fortaleza algumas iniciativas têm amenizado a problemática em questão. É o caso das ações e pesquisas realizadas pelo núcleo de articulação de educadores sociais de rua. O núcleo é composto por dezenove instituições governamentais e não governamentais. Em entrevista com o representante do núcleo Marcos Castro, podemos perceber a magnitude das ações realizadas por essa equipe interinstitucional, os projetos são voltados essencialmente para a inclusão dessas crianças na sociedade através das suas famílias, pois, segundo Marcos Castro, a criança não pode ser pensada como ser único, existe por traz uma família desestruturada da qual a criança não quer ou não pode fazer parte, por isso decide ir para rua. Na rua, geralmente encontra facilidades como dinheiro, o prazer que as drogas oferecem e liberdade. Portanto o representante do núcleo faz questão de ressaltar que não se deve dar dinheiro a essas crianças, a atitude que se deve tomar como cidadão é a de denunciar os abusos e encaminhar essas crianças para os abrigos.

Bom, o fato é que temos um problema social complexo que precisa de soluções complexas, o núcleo de articulação de educadores sociais de rua, além de promover ações concretas em torno dessas crianças, promove também um estudo anual referente as estatísticas quantitativas e o perfil das crianças e adolescentes que vivem hoje nas ruas de Fortaleza. A pesquisa mais recente nos indica que 494 crianças e adolescentes fazem das ruas seu lar, sendo que 212 delas usam algum tipo de droga ilícita. Os dados são alarmantes, se levarmos em consideração, o fato de que os educadores contaram apenas com crianças que realmente moram nas ruas, deixando de fora das estatísticas as que trabalham ou exercem alguma atividade na rua e no fim do dia voltam para suas casas.

Sabe-se que, quando essas crianças chegam aos abrigos enfrentam as crises de abstinência, no caso das que consumiam drogas. No entanto, o maior desafio que os educadores de rua enfrentam, é a falta de uma estrutura terapêutica que viabilize o tratamento das crianças. Aqui em Fortaleza não contamos com nenhum abrigo que tenha estrutura física para acolher crianças com esse tipo de problema.

Vale ressaltar que existe uma verba de R$ 600.000 no orçamento da secretaria de ação social destinado a essa questão, no entanto o orçamento nunca foi executado.

Se podemos ou não contar com políticas públicas que solucionem a questão ninguém se atreve a responder, o que se sabe é que todos nós perdemos com isso. Pois uma sociedade que não acolhe suas crianças e não investe maciçamente em sua formação, não é digna de ser denominada como BELA.

Mayara Ripardo